O Celular poderá virar um caixa eletrônico dentro do seu bolso



Ao ligar o celular pela manhã, já é possível checar as primeiras informações do mercado financeiro, conferir cotações e gráficos e comprar papéis pelo mobile broker. Antes de sair para o trabalho, pode-se pedir um táxi pelo aparelho móvel e informar que o pagamento não será por dinheiro, cheque ou boleto, e sim pelo próprio celular. Na hora de pagar a conta do almoço, basta aproximar o aparelho de um sensor e a transação é realizada quase instantaneamente, sem a necessidade de recibo ou assinatura (assista ao vídeo abaixo). Este cenário de inovação e mobilidade já começa a ganhar força no Brasil, com o celular roubando espaço de papéis e plásticos e se tornando um importante meio de pagamento.


A Wappa já fatura R$ 17 milhões com o pagamento de táxi pelo celular, diz Armindo. Imagem: Marcio Fernandes/AE – 02/07/2009

Empresas de telefonia móvel, bancos, corretoras, operadoras de cartão e companhias do setor de tecnologia vêm investindo há alguns anos em serviços de pagamento pelo aparelho. Diversos projetos pilotos, e outros já comerciais e bem sucedidos, começam a ser testados no mercado nacional. O estímulo não poderia ser melhor: o número de celulares em operação no País chegou a 173,9 milhões em dezembro, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ao longo de 2009, foram vendidos 23,3 milhões de aparelhos, o segundo melhor desempenho da história do setor, atrás apenas de 2008.

“Este segmento tem um potencial monstruoso. Não vai substituir o cartão tão cedo, mas para alguns mercados se encaixa muito bem pela capilaridade e agilidade que traz”, explica o diretor da Wappa, Armindo Freitas Mota. A empresa tem como carro-chefe uma plataforma que permite o pagamento pelo celular de despesas corporativas de táxi. Fundada há apenas quatro anos, a companhia já conta com um faturamento de R$ 17 milhões e uma base de 50 mil usuários.

A solução funciona em todos os aparelhos de qualquer operadora, utilizando o sistema de mensagem de texto. Ao solicitar o carro em uma empresa cadastrada, o cliente informa à atendente que o pagamento será pelo celular. Ao final da corrida, envia uma mensagem com a senha e o valor, e a transação é efetuada. Ao todo, a operação demora cerca de 15 segundos para ser concluída “O serviço de táxi corporativo tem potencial para movimentar R$ 1 bilhão no Brasil”, garante Mota. Em 2010, contudo, a empresa pretende diversificar e investir também em soluções para combustível e alimentação.

Equipados com tecnologias do mercado financeiro, como microchips e transmissão de dados por meio de ondas de rádio, os celulares prometem ameaçar o reinado dos cartões de crédito e débito. Líderes deste setor no País, Visa e MasterCard escolheram a América Latina, e mais especificamente o Brasil, para testar algumas dessas novas soluções móveis. A aposta deve-se exatamente ao elevado nível de penetração dos aparelhos na população nacional.

A MasterCard já anunciou para 2010 uma plataforma que permitirá a realização de diferentes tipos de transações a partir de celulares. Os usuários poderão transferir valores, recarregar telefones pré-pagos, além de fazer compras em estabelecimentos. Batizado de Mobile Network Gateway, o aplicativo também permitirá, em um segundo momento, o pagamento de contas. A fase inicial do projeto piloto será implementada no Brasil no primeiro semestre deste ano e é fruto de uma parceria com Itaú Unibanco, Redecard e Vivo.

“O Brasil adota a inovação rapidamente, o que é possível ver pelo sucesso de comunidades como Orkut, LinkedIn e Twitter. Além disso, já existem no País iniciativas de pagamentos móveis e há um grande numero de consumidores com celular”, explica o diretor de plataformas de mobile da MasterCard, Ricardo Pareja. Segundo ele, a nova solução também irá mirar a população não bancarizada do País, já que poderá ser utilizada por pessoas que não possuem conta corrente em banco.

Este nicho, aliás, pode ser a chave para a consolidação do celular como meio de pagamento no mundo, como mostra um estudo do Grupo Consultivo para Assistência aos Pobres (CGAP, na sigla em inglês), uma consultoria ligada ao Banco Mundial. Segundo levantamento da instituição, mais de um bilhão de pessoas não tem conta corrente em banco, mas possui um telefone celular – número que deve se expandir para 1,7 bilhão até 2012. “O cliente passaria a ter uma conta pré-paga vinculada ao celular assim que adquirisse o aparelho”, explica Pareja, ressaltando que o atendimento a este público, apesar de promissor, está previsto apenas em um segundo momento do projeto.

Um ‘bluetooth’ para pagamentos

Após investir em transações remotas com confirmação via SMS, a Visa foca agora seus esforços em uma tecnologia sem fio que permite pagamentos por proximidade. O projeto piloto, chamado de Visa payWave, foi lançado no Brasil em agosto, utilizando aparelhos Nokia. Para realizar a operação, é necessário aproximar o celular de um sistema de captura baseado na tecnologia NFC (Near Field Communication) e aguardar a confirmação.

“Trata-se de uma tecnologia de radio frequência similar ao bluetooth, só que com os pré-requisitos da indústria financeira”, diz o diretor de produto da Visa do Brasil, Marcelo Serralha, que destaca a grande aposta da empresa neste segmento. A previsão, segundo ele, é que o projeto esteja disponível comercialmente ainda em 2010. O público-alvo, afirma Serralha, não ficará restrito aos jovens. “Esta solução é destinada a todos que buscam conveniência para pagamentos de menor valor.”

Além de estabelecimentos comerciais, o sistema da Visa poderá ser utilizado no transporte público, para pagar, por exemplo, uma passagem de metrô. Está também é a aposta da concorrente MasterCard, que desenvolve tecnologia semelhante. O projeto PayPass, como foi chamado, já vem sendo utilizado de forma experimental no transporte e em algumas lojas da cidade do Rio de Janeiro.

Riscos e leis

A segurança dos aplicativos figura no topo da lista de preocupações das companhias. Segundo Pareja, da Mastercard, o chip dos celulares é tão confiável quanto a tecnologia de um cartão. “O SIM card é considerado um elemento seguro, pois armazena uma chave criptográfica”, afirma o executivo, ressaltando que ainda não existem casos de clonagem deste tipo de sistema. No caso do pagamento por proximidade desenvolvido pela Visa, é possível configurar uma senha para ativar o menu de operações financeiras. “É como se o aparelho armazenasse, de maneira segura, um cartãozinho”, defende Serralha.

O Banco Central ainda não possui uma legislação específica que regulamente os serviços de pagamento pelo celular. Procurado pelo Economia&Negócios, o órgão informou que vem acompanhando a evolução do mercado, bem como iniciativas regulatórias em outros países. As principais preocupações, segundo o BC, são que os recursos sejam líquidos e disponíveis aos clientes, que haja prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento de terrorismo.

Investindo de qualquer lugar

“Informação, conhecimento e agilidade são fatores-chave para quem quer operar no mercado financeiro”, enfatiza o gerente da Ágora Corretora, Márcio Alves. A empresa lançou há um ano o serviço de homebroker pelo celular e desde o final de 2009 oferece um pacote promocional em parceria com a Agência Estado e a operadora de telefonia TIM, que tem como objetivo popularizar o aplicativo.

Para utilizá-lo não é necessário ter um aparelho ou plano especial, basta fazer o download da ferramenta pelo celular. A taxa de corretagem também é a mesma de uma operação tradicional pela internet. No caso da Ágora, R$ 20.

O celular faz com que o investidor tenha nas mãos o poder de monitorar noticias e operar rapidamente no mercado. “É uma ferramenta que tem um custo acessível para a pessoa física e possibilita que as operações sejam feitas em momentos oportunos”, afirma Alves. Segundo ele, as soluções de homebroker via internet ainda são mais completas, mas os aplicativos de mobile estão evoluindo rapidamente e tendem a convergir para este cenário em um futuro bem próximo.

[Fonte]




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